MEDITE NISSO

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

A favor de um novo paradigma para os centros de formação teológica



Pergunto-me por que ensinamos teologia há quase cem anos, investimos em material didático avançado, em tecnologia de ensino, em formação de professores, e mesmo assim, nada, absolutamente nada, se altera, muda ou se transforma em nossas igrejas e ministérios. Os mesmos problemas éticos, os mesmos escândalos, as mesmas disputadas por "campos", ruas e praças.
Os bacharéis em teologia que saem de nossas faculdades não conseguem refletir e nem produzir teologia. As produções científicas desses formandos inexistem. Suas monografias semelham-se aos trabalhos de alunos do Ensino Médio. Não sabem dialogar com a cultura de nosso tempo. Continuam presos aos guetos de sua teologia obscura, ultrafundamentalista, liberais, incapazes do diálogo dialético. Esses formandos em teologia (seja qual for o nível – Básico, Médio, Bacharelado –, seja qual for a instituição), não produzem um texto de qualidade, de exegese profunda, apenas reproduzem a mesma teologia pragmática, o mesmo didatismo: "5 aspectos da natureza dos anjos"; "3 atributos incomunicáveis da Divindade", etc. Se estiverem em uma instituição fundamentalista, reproduzem o fundamentalismo. Se estiverem em uma instituição liberal, reproduzem acriticamente o liberalismo teológico. Infelizmente, nenhum deles é desafiado a pensar o próprio sistema que o forma. São apenas orientados a criticar o sistema dos outros. Incapazes de entrar em diálogo com um autor de linha teológica divergente. A intolerância grassa dos dois lados. O liberal grita como uma criança mimada quando se discorda de sua desletralização das Escrituras. O fundamentalista chora como uma criança que deixou o último pirulito do pacote cair ao chão se questionado a respeito da inspiração verbal e plenária da Bíblia.
O sistema educacional teológico empregado pela maioria das denominações evangélicas não produz transformação e conhecimento teológico significativo e contemporâneo. É um sistema que reproduz uma cultura teológica e eclesiástica planejadas para manter o sistema educacional teológico e ministerial existentes. Claro que essa não é a intenção dos objetivos do currículo, ou das finalidades da educação teológica. As instituições de educação teológica não afirmam que reproduzem um modelo de educação com vistas à estratificação e a obediência cega e incondicional ao sistema que as fundam e as mantêm.
Os centros de (desin) formação teológica reproduzem uma “cultura cristã arbitrária”. E, por isso, os formandos desconhecem o vocabulário teológico – muitos são até ensinados a rejeitarem a linguagem teológica –, além de vários livros e autores serem rotulados negativamente sem ao menos serem lidos –Index Librorum Prohibitorum. Os gestores pensam que, assim fazendo, estarão impedindo o crescimento do liberalismo, do fundamentalismo, assim como a Igreja Católica pensava impedir o avanço do protestantismo.
A educação teológica arbitrária reproduz a linguagem, a teologia de gueto e os valores dominantes de classes e se recusa a refletir a respeito da práxis e missão da Igreja de Cristo no mundo. Essa teologia é incapaz de responder positivamente aos dilemas e desafios da igreja moderna e de compreender as indagações e agonias de nosso tempo. Na verdade, ela não quer; sua preocupação é outra. Menos intolerância acadêmica e mais alteridade e diálogo teológico!
Não (!) ao cerceamento de bibliografias para a pesquisa nos centros de educação teológica. Em alguns seminários, para que um livro e uma bibliografia sejam lançados no limbo, no index, basta apenas que o nome do autor tenha mais consoantes do que vogais, ou o selo editorial não corresponda ao denominacional.
Muitos gestores, infelizmente, nem sabem que estão reproduzindo as iniquidades educacionais e ministeriais de seu tempo, de sua denominação, do mercado cristão. Assim, muitas faculdades de teologia são instrumentos denominacionais para a manutenção ideológica do modelo que ai está.
Muitos pretensos educandos que, na verdade, não se educam, estão apenas em busca de um documento que ratifique e oficialize suas práticas ministeriais já conhecidas. Estudam em instituições teológicas que ensinam contra a teologia da prosperidade e, mesmo assim, continuam pregando e ensinando a teologia da prosperidade, entre outros desvios doutrinários. São aprovados apesar de não terem frequentado a carga horária mínima exigida. Saem da faculdade de teologia sem o menor conhecimento das línguas originais, de exegese, hermenêutica, de teologia, entre outras. Ética e lisura, por exemplo, são vocábulos excluídos dos dicionários de muitos formandos. Solidariedade, sustentabilidade e justiça social resumen-se a "chá de senhoras", "coleta de donativos", entre outros paliativos que anestesiam a consciência. Respeito e fidelidade são mercadorias descartáveis na comercialização do poder. Centenas de bacharéis em teologia saem de nossas faculdades teológicas como entraram – muitos poucos escapam dessa lei inexorável. São mantidos acorrentados nas prisões das quais deveriam se libertados.
Precisamos mudar, mas para a melhor. É necessário repensar os propósitos da educação teológica. Esse modelo de ensino teológico só pode ser chamado deessencialista: a preocupação é apenas com o conteúdo a ser ensinado; o aluno é mero recipiente a ser preenchido. Essa concepção de educação teológica entende que o mundo se reduz a verdades essenciais que estão dentro do sistema epistemológico defendido e proposto. Portanto, não há conflitos e debates, pois as verdades estão no dogma, expresso por meio dos credos. Basta apenas conhecer o credo, manter-se nele e tudo o mais se resolverá. O mundo é simplificado. Sua complexidade e pluralidade são reduzidas a sentenças dogmáticas inquestionáveis. O aluno não é desafiado a mudar a realidade, as injustiças, a lutar pela liberdade cristã.
Todavia, os nossos centros de educação teológica precisam de um novo paradigma de educação teológica. Uma teologia de caráter mais cristã, existencialista e libertadora. Não digo existencialismo no modelo filosófico ateu, mas em seu modelo humano, pedagógico. Um paradigma que reconheça e defina sua visão de homem, de humanidade, de alteridade. Sistema educacional onde a missão do professor é orientar; ele é um arquiteto cognitivo, um engenheiro de teologias, orientador. Nesse modelo, o aluno é o sujeito de sua formação teológica, livre para escolher e orientar-se. O aprendente é orientado a apreender a dinâmica do mundo e construir ele mesmo a teologia para o seu tempo, contexto, realidade e comunidade. Ele não é prisioneiro da teologia, mas autônomo para pensá-la.O estudante de teologia deveria recusar-se a aceitar um modelo teológico que o aprisiona em vez de libertá-lo! Esse paradigma não deve ser elaborado no gabinete, na solitária, nos subterrâneos de nossas igrejas, mas em diálogo dialético-dialógico. Precisamos de um novo paradigma, de uma visão de educação teológica que não seja reducionista, antibíblica e estratificada.
Um paradigma que não proíba o pensar, e que não tenha medo de pensar a si mesmo!
Fonte:Esdras Costa Bentho 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A “mocidade” assembleiana em crise!



Gutierres Siqueira

Este artigo é fruto de inúmeras conversas informais que tive com jovens e líderes de jovens nos últimos dias. A denominação Assembleia de Deus vive uma crise com a sua juventude. É provável que outras igrejas estejam passando por algo parecido, mas não posso falar por falta de vivência nas demais denominações cristãs.
Faço parte dessa juventude. Hoje tenho 22 anos, mas entrei na “mocidade” da igreja com a idade de 13 anos. Nesses 11 anos de vivência entre jovens percebo uma crise que se aprofundou com o passar do tempo. Os bancos de “mocidade” estão cada vez mais vazios e os jovens cada vez menos ativos e desinteressados. Quero apontar, neste artigo, alguns fatores que acredito colaborarem com essa crise.
Mensagem descontextualizada
Na minha opinião a mensagem descontextualizada é o nosso principal problema. Vejamos alguns exemplos:
a) Os jovens trabalham como estagiários e trainees em empresas multinacionais com novas visões de liderança. Hoje, em inúmeras empresas, os estagiários sentam do lado dos gerentes. Não há mais divisórias que separam os novatos dos veteranos. E quando esses jovens chegam na igreja? Se deparam com uma hierarquia rígida, fria e distante. Os pastores são ausentes e conversam com os jovens somente em “reuniões” para “tratar sobre problemas”. Os chamados “cultos de mocidade” não contam com a colaboração dos obreiros.
b) As empresas (chefes), as famílias (pais) e as escolas (professores) estão cada vez mais próximas e preocupadas com o diálogo com os jovens. As revistas voltadas para esses líderes sempre apontam os desafios da Geração Y, ou seja, aqueles que nasceram na década de 1980 e 1990. Há uma preocupação com um ambiente menos sisudo, mais dinâmico e responsável. Já nas igrejas (pastores) ainda reina o formalismo extremo e a liturgismo (inflexível) de cemitério (mesmo em igrejas pentecostais). Diálogo zero! Empatia zero!
c) Os jovens se deparam com desafios enormes diante dos valores pós-modernos. A maioria dos jovens está, graças a Deus, na universidade, mas são totalmente despreparados para lidar com princípios cristãos no mar do relativismo, do multiculturalismo e do hedonismo reinante nas universidades. Enquanto isso, muitos pastores estão preocupados com os jovens que usam calças, shorts, maquiagens, adornos etc. É impressionante que, diante de desafios tremendos na sociedade contemporânea, o debate nas Assembleias de Deus ainda esteja em volta dos “usos e costumes”.
d) Ensino praticamente zero. Como os jovens vão preparados para a vida se não sabem nem o A B C D do Evangelho? Com tanta mensagem superficial nos púlpitos não é novidade que a juventude também seja vazia. Púlpito ruim, igreja doente. Igreja doente, juventude doente. Lamentável dizer, mais ensino bíblico (de verdade) é objeto raro nas Assembleias de Deus. Sim, temos valorosos ensinadores, mas são uma minoria em uma denominação que se gaba ufanisticamente de ser a maior igreja pentecostal do mundo.
e) Enquanto parte considerável da denominação aposta nos “usos e costumes” tradicionais como processo de santificação, logo a carnalidade somente aumenta. A santificação também é um processo que depende da Graça de Deus; não é um processo meritório. Quem aposta a santificação na tradição está fadado ao fracasso e certamente abraçando o pecado. Muito se prega sobre santificação, mas justamente no foco legalista e ineficaz, já que se despreza o trabalho do Espírito Santo (cf. Rm 8). Esse povo nunca leu Gálatas?
f) Exortações e mais exortações com focos exagerados. É quase trágico quando um “pregador adulto” vai aconselhar os jovens sobre a internet. Sempre o foco é o problema. É claro que se usa a internet de maneira errada, mas e o potencial evangelístico e a transmissão dos valores cristãos pela grande rede? Nunca ouvi uma única mensagem que falasse de tecnologia e apontasse o seu potencial. Os jovens sempre recebem o mandamento negativo (“não faça!”) e quase nunca o mandamento positivo (“faça isso!”).
e) Existe maior exemplo de descontextualização nas Assembleias de Deus do que chamar adolescentes e jovens de “mocidade”?

Fonte: Blog alvo mais que a neve

CARACTERÍTICAS DOS DISCÍPULOS (ALUNOS) DE JESUS

                                                                                                                                                                                                           


Extraído do Livro: "A PEDAGOGIA DE JESUS: O Mestre por Excelência", de J. M. Price (Juerp)                          Ilude-se quem pensa terem sido ideais e modelares as pessoas que Jesus ensinou, mesmo incluindo-se os doze apóstolos. Caracteres bíblicos muitíssimos distanciados de nós, temos que concebê-los em nossa imaginação. Certo foram muito humanos como nós, com essas imperfeições e fraquezas naturais à criatura humana, pois que esta é sempre a mesma em todas as épocas. Embora mudem as condições ambientais, a natureza humana em sua essência é sempre a mesma.

Isto é verdade no que respeita a todos os séculos, climas e graus de cultura. Will Rogers retratou perfeitamente isto, quando falando das conquistas da conferência da paz na Europa, assim se expressou: "Resta apenas uma pequena coisa a ser trabalhada agora: é o problema da natureza humana." E assim é sempre. Examinando aqueles que Jesus ensinou, como mestres colheremos muita matéria informativa e sugestiva, e mesmo encorajadora. Jesus lidou com um grupo mais íntimo de seguidores, outro maior de discípulos e outro, maior ainda, de críticos e indiferentes.

1. O Grupo de Imaturos

Este grupo de pessoas com que Jesus lidou estava mui longe da perfeição, quando Jesus iniciou sua obra junto deles. Mesmo ao contemplar sua obra, ainda eram imperfeitos. Eram - caracteres ideais apenas em embrião. Eram santos apenas em estágio de fabricação. Preenchiam muito bem um dos três requisitos que George A. Coe sugere para o ensino — a imaturidade. Assim tinham eles que caminhar muito e muito, com muita paciência, para se tornarem cristãos crescidos e maduros. Na longa estrada do aprendizado, experimentariam muitas decepções e desânimos. Somente alguém que tivesse uma alentadora visão do futuro, movido do infinito amor e paciência, e de persistente energia e perseverança, se aventuraria a tomar como alunos este grupo de pessoas e fazer deles o que o Mestre Jesus fez.

Não é preciso vasculhar muito o Novo Testamento para se ver quão imaturos e imperfeitos eram aqueles que Jesus tomou como discípulos. João, que depois se tornou o discípulo amado, não sabia controlar seu gênio, e falhou muito quando se encolerizou contra os descaridosos samaritanos, aos quais Jesus queria revelar seu amor e o amor de seus discípulos. Simão, a quem se daria o nome de Pedro (pedra), não demonstrou possuir aquela solidez e firmeza que tal nome sugeria, pois prometera a Jesus que estaria firme a seu lado ainda que os mais desertassem, e dentro de poucas horas não só negou a Jesus, jurando por três vezes que nem o conhecia, mas o negou com uma linguagem desusada e lamentável.

Tomé mostrou-se tão duro e obstinado em não acreditar na ressurreição de Jesus que tal atitude exigiu esforços especiais do Mestre no sentido de lhe provar satisfatoriamente esse glorioso acontecimento. Judas, após vários anos de companheirismo e aprendizado com o Mestre, não progrediu tanto a ponto de sentir-se preparado para resistir à tentação de traí-lo por trinta moedas de prata!

Os discípulos de Jesus sofriam a enfermidade de desenvolvimento retardado, quando não de perversidade progressiva. Apanhar este pequeno grupo de indivíduos sem preparo e que quase nada prometiam, e formá-los em pessoas bem desenvolvidas e preparadas, que constituíam gloriosa inspiração para o mundo, foi um verdadeiro milagre da arte de ensinar e exercitar. Jesus jamais foi suplantado por qualquer outro mestre; foi e é suprema inspiração e encorajamento para os mestres cristãos de todas as épocas. Ninguém pode avaliar devidamente as possibilidades latentes num moço ou numa moça aparentemente inaproveitável, nem o que se possa fazer com eles. O velho professor dos Irmãos da Vida Simples ao tirar seu chapéu na presença de seus discípulos, e ao dizer-lhes que não sabia se tinha ali à sua frente alguém que seria maior que o imperador, nem podia imaginar que naquela sua classe estivesse entre seus alunos o menino que, homem feito, iria abalar os fundamentos do mundo — Martinho Lutero!

É privilégio nosso, pelo ensino que transmitimos, mudar vidas hoje imaturas e aparentemente insignificantes, e desenvolvê-las em caracteres marcantes e notáveis. Um ferreiro aleijado apanhou nas ruas um grupo de quatro meninos aparentemente ociosos e que nada prometiam, e passou a ensiná-los pacientemente. Viveu o suficiente para ver tornar-se um deles missionário em terras estrangeiras, outro, membro do gabinete do presidente de sua pátria; o terceiro secretário particular também dum presidente; e o quarto aquele que chegou a ocupar a presidência dos Estados Unidos da América do Norte — Warren G. Harding!


2 . Impulsivos ou Impetuosos

Os discípulos de Jesus não eram apenas imaturos. Pior que isso: haviam tido na vida um desenvolvimento errado e falho. Alguns deles eram mesmo gente governada só por impulsos. Pedro era assim, e foi o campeão dos impetuosos. "Era homem impulsivo e precipitado, qual regato que desce célere e desabaladamente montanha abaixo, atirando-se de encontro às rochas da baixada. Reagia repentinamente. Falava e agia, para depois pensar." Temos exemplo vivo disso, quando se lançou ao mar, em certa manhã bem fria, nadou até a praia para chegar perto de Jesus, quando poderia ter feito isso com seu barco (João 21:7). Outro exemplo temos quando pediu a Jesus que lhe banhasse também as mãos e o rosto, logo após haver dito a Jesus que lhe não consentiria lavar seus pés; e quando Jesus lhe disse que, nesse caso, Pedro não teria parte com ele, submeteu-se (João 13:9). E exemplo mais vivo ainda temos quando Pedro, com rápido golpe de sua espada, decepou a orelha direita do servo do sumo sacerdote (João 18:10).

João também não se mostrou menos impetuoso. Tanto que Jesus o chamou "filho do trovão". Diz Carlos R. Brown: "Ele mostrou ser filho da tempestade.

Houve ocasiões em que teve explosões fortes e terríveis. Certas vezes, em sua ira ou entusiasmo, agia qual redemoinho impetuoso," qual poderoso furacão. Mui longe de se revelar homem calmo, paciente, sofredor e manso, era de caráter violento." Manifestou isso quando, com outros discípulos, entrou numa vila de samaritanos para arrumar pouso para o Mestre; ante a recusa de hospedagem, ele se indignou tanto que disse a Jesus: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para consumir esta gente?" (Luc. 9:54). Caminhou muito este apóstolo, até chegar a escrever em sua Primeira Carta, cap. 4, versículo 8: "Quem não ama, não conhece a Deus."

Outros que não pertenciam ao círculo íntimo de Jesus mostravam-se igualmente impulsivos. Simão, chamado Zelote, como este apelido indica, pertencia a um partido político muitíssimo radical. Afirma Brown: "Podia ele ser vantagem ou desvantagem. Era como o vapor em alta pressão que pode levar de encontro aos arrecifes qualquer barco sem piloto, ou queimar seus passageiros, causando-lhes a morte." Fosse ele pessoalmente radical, ou não, o fato é que pelo menos pertencia a um grupo revolucionário quando Jesus o chamou para segui-lo.

João Batista, por sua vez, era também homem de temperamento forte. Não nos parece de início um moderado conservador, quando surge de seus jejuns e se movimenta de cá para lá a pregar o evangelho do arrependimento a uma geração má e perversa. "Apareceu ele com olhos flamejantes, e apresentar sua formidável mensagem. De linguagem escaldante, despertava e abalava as consciências mais empedernidas."4 Tinha ele o temperamento dós reformadores.

O próprio Mateus não se mostrava também muito conservador, não. Diz, no caso dele, T. R. Glover: "O publicano do grupo era também do mesmo tipo; mostravase pronto a deixar seus afazeres e os costumes de família — revelando também natureza impulsiva e coração quente." Era tão impetuoso o caráter daqueles discípulos e doutros mais, que Jesus sempre lhes frisava que deviam pesar bem as coisas antes de agir. Eram neles traços tão salientes que, se alguém os propusesse para o pastorado de alguma igreja importante de nossos dias, esta se veria na necessidade de impor-lhes algumas condições. Lembremo-nos, no entanto, de que dantes como agora, não são os conservadores, os intelectuais c os calmos, e, sim, os agressivos, os aventureiros e os destemidos que fazem progredir mais a obra do Reino de Deus. O aluno que nos dá mais trabalho para conter"e orientar, c mesmo para disciplinar, pode ser justamente aquele que mais conseguirá na vida. Podemos agradecer a Deus pelos homens impulsivos, s quando sabiamente orientados.


3. Pecadores

O Mestre não só teve que lidar com pessoas de caráter subdesenvolvido e de fortes impulsos, mas também de acentuadas tendências para o pecado. Conquanto alguns deles se tornassem depois cristãos de elevado caráter, nem sempre foram tão angélicos como os pinta a nossa imaginação ou alguns artistas da tela. Havia neles altos e baixos, instintos e impulsos que, não controlados pelos ideais cristãos, inevitavelmente os teriam arrastado a grandes e irremediáveis males. Assim aconteceu em parte, e vemos que eles fizeram coisas que. mais tarde provavelmente desejariam ver retiradas dos registros.

Na verdade, alguns dos quais Jesus ensinou e cujas vidas foram transformadas por ele, tinham vivido em graves pecados. Basta lembrar que um deles, conquanto viesse a gozar por alguns anos da companhia de Jesus," tornando-se mesmo o tesoureiro do colégio apostólico, por fim chegou a vender o Mestre por trinta moedas de prata.

Mas Judas não foi o único, mesmo do círculo íntimo de Jesus, a ser arrastado por tendências pecaminosas, ao menos temporariamente. Pedro mentiu e jurou para ocultar sua identidade e se escapar de situação embaraçosa. João não só deu asas a seu temperamento e preconceitos, mas também ao orgulho, e chegou a pleitear o privilégio de assentar-se à destra de Jesus. E Tiago se associou a ele, igualmente desejoso de posição social e política. "Houve atritos entre eles, pois eram homens de não pequenas ambições. Mesmo na ocasião da Última Ceia, os corações deles giravam ao redor de tronos" (Mar. 9:33;10: 37; Luc. 22:24). De fato, o grupo todo de discípulos pensava mais em grandezas materiais.

Afora o círculo dos doze, vemos Zaqueu, o coletor de impostos, homem que tinha grande amor pelo dinheiro e que cobrava mais do que era devido, roubando assim ao povo necessitado. E também Maria Madalena, com sete demônios a seu crédito. E ainda a mulher pecadora que lhe lavou os pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos. E ainda a mulher de vida livre a quem ensinou à.beira do poço, a qual tivera um rosário de cinco maridos. E ainda aqueles acusadores da mulher adúltera, os quais desapareceram quando Jesus lhes disse que quem estivesse sem pecado fosse o primeiro a começar a apedrejá-la, conforme ordenava a lei. Não; aqui vemos perfeitamente que a classe de alunos ensinada por Jesus em nada apresentava aquelas condições ideais para um mestre ideal. Ao contrário, eram tais alunos gente das mesmas paixões nossas, e de paixões que não poucas vezes os dominavam por completo. Orgulho, ambição e luxúria argamassavam a vida deles, e tudo aquilo desafiava os preceitos e a influência de Jesus.

O que foi verdade então, o é ainda hoje. Nunca se sabe o que serão os nossos alunos de hoje. Sabemos, no entanto, que instintos não controlados inevitavelmente arrastam à ruína. Num rapaz de belo físico podem estar aninhadas fortes tendências para o crime, forças que, não controladas, certamente o levarão para a penitenciária. E isso tem sucedido inúmeras vezes. Essa jovem culta e de modos gentis, que parece trazer no rosto a marca legítima da inocência, pode muito bem estar abrigando dentro de si certos ideais e paixões que, desenvolvidas, a arrastarão a uma vida vergonhosa. Isso temos visto de contínuo na sociedade de que fazemos parte. Nenhum professor pode ler todos os maus pensamentos e propósitos ocultos no coração de seus alunos. Muitos de nós podemos dizer o que John Bradford disse de si próprio, ao ver passar por ele um criminoso conduzido por agentes policiais: "Não fora a graça de Deus, ali estaria John Bradford." Urge aprendermos a esmagar sempre as tendências pecaminosas e imprimir em nosso caráter a semelhança de Cristo.


4. Perplexos

As pessoas a quem Cristo ensinou viam-se muitas vezes desafiadas por inúmeras perplexidades e problemas, e assim procuravam a Cristo para que ele os resolvesse. Certo é que às vezes vinham a ele tangidos pela hipocrisia, pois queriam pegá-lo nalguma palavra. Jesus de imediato reconhecia isso, e, no entanto, lhes dava atenção, levando-os a tirar por si mesmos a conclusão certa. Traziam-lhe assuntos mui variados, tratando quase todos de problemas da vida cotidiana. Respondendo-lhes, Cristo não só ajudava a quantos ensinava pessoalmente, mas a inúmeros outros pelos séculos em fora. O fato de João haver declarado que o mundo todo não poderia conter todos os livros necessários para o registro de todos os ensinos de Cristo nos leva a perceber que não conhecemos muitos assuntos então levados à consideração de Cristo.

Conhecemos, não obstante, bom número de problemas pessoais e íntimos, que tratam de modo vital de muitas fases da vida humana. Temos, por exemplo, o pedido feito por certo homem, para que Jesus tratasse da repartição da herança com o irmão dele, uma demonstração de legítima defesa. Também temos registrados vários casos de ambição e de prestígio social, apresentados pelos discípulos quando deram de querer saber de Jesus qual deles era o maior. Aliás, este é um desejo mui natural e humano. O moço rico desejava saber como poderia alcançar a vida eterna. Esse era o seu problema, e, ao que parece, também de Nicodemos. Outros queriam saber se Cristo era Deus, se deviam tolerar outros trabalhadores que não andavam com ele, quando e como deviam prestar culto a Deus; queriam saber algo da ressurreição, dos maiores mandamentos, algo sobre o jejum, de como poderiam expulsar demônios, e outras coisas mais. Discutiam e lhe apresentavam também problemas pessoais, como o orgulho, a ira, a luxúria, a aflição, a cobiça. Vemos que eram os mesmos problemas que hoje enfrentamos no século das luzes.

Também surgiram problemas de natureza social que diziam respeito às relações de uns para com os outros. Simão Pedro queria muito saber quantas vezes deveria perdoar a quem o houvesse ofendido: só sete vezes, ou deveria ir além? (Mat. 18:21-35). Os fariseus, maldosos, fizeram-lhe esta pergunta perigosa: "É lícito a um homem repudiar sua mulher por qualquer causa?" (Mat. 19:3). Semelhantemente, os saduceus, sequiosos por demonstrar a impossibilidade da ressurreição, perguntaram a Jesus a quem pertenceria no outro mundo a mulher que aqui houvesse desposado sete homens (Mat. 22: 23-33). Um doutor da lei, querendo justificar seu egoísmo, levantou diante de Cristo, uma questão mais larga sobre o problema da boa vizinhança, perguntando-lhe — "Quem é meu próximo?"

Outro problema, muitíssimo melindroso naqueles dias, dizia respeito à deslealdade para com o governo, quanto ao pagamento das taxas. Tal problema foi apresentado a Jesus quando os escribas e principais sacerdotes lhe perguntaram se era lícito pagar tributo a César (Luc. 20:22). Também surgiu a questão do sábado, quando os discípulos de Jesus lançou mão da imaginação, e lhes falou duma ovelha caída num valo e dum rei em caminho para a guerra.

Outros problemas incluíam dar e receber, o orar, o serviço, o espírito de crítica, a vingança. À luz dessas muitas perguntas e problemas, parece-nos que Jesus gastou grande parte do seu tempo mais a resolver problemas pessoais do que mesmo a ensinar de modo geral. E parece que foi assim mesmo. Os problemas da vida humana quase sempre são os mesmos; e, resolvendo aqueles dos homens do seu tempo, Jesus lançou muita luz sobre os nossos problemas de hoje, mormente quando vemos que ele tratou mais de princípios fundamentais que de remédios específicos. Assim, Jesus aparece como conselheiro e como instrutor, justamente como devemos ser, caso queiramos servir de maneira valiosa e vital àqueles de nossos alunos que hoje enfrentam problemas mui sérios e complicados. Ninguém jamais resolveu problemas e perplexidades como Jesus, e ninguém como ele apresentou princípios gerais de maior ajuda e valia. Ele se revelou mestre consumado e divino, tanto no aconselhar como no ensinar.

5. Ignorantes

Asseverar que os discípulos de Jesus tinham mente obscurecida e endurecida, bem como espírito perplexo, parece quase que adicionar insulto à injúria. Mas vê-se que não, quando buscamos ter uma visão completa da situação em que Jesus se viu frente a eles. Seus discípulos provinham em maior parte das baixas camadas sociais e não da classe alta, e por isso não tinham aquele fundo cultural que soem ter os de classe mais elevada. Eram, assim, gente mui imperfeita. Não estavam preparados para compreender muitas coisas, dado que a mente deles não estava habilitada a apanhar toda a verdade. Mas não era esta a única dificuldade. Uma concepção materialista da via e a ideia ritualista da religião muito os prejudicavam, visto que as verdades espirituais se discernem espiritualmente. Tanto a ignorância, como errados pontos de vista, embaraçavam bastante o trabalho do Mestre. É coisa bem difícil erradicar a confusão mental e a rotina intelectual. E Jesus teve que enfrentar como nenhum outro mestre essas duas coisas. Conquanto fosse ele verdadeiro especialista no aclarar a verdade, registra-se que ele não foi bem compreendido por muitos ou foi mal interpretado por muito tempo pelo povo em geral, pelos líderes religiosos, e mesmo por aqueles do seu círculo íntimo. “Ele escolheu um grupo pequeno, visando prepará-lo para a liderança, embora não pudessem eles entender, e muito menos explicar a outros, os princípios que eram a pedra angular da fé que deviam propagar.... Nos três anos que Jesus gastou a ensinálos, tais discípulos foram para ele constante decepção." Forte exemplo dessa incompreensão vemos no que respeita ao que Cristo lhes ensinou sobre a natureza do Reino. Apesar de tudo quanto lhes ensinara sobre a natureza pessoal, íntima e subjetiva do Reino, os discípulos continuaram a esperar um reino temporal que se baseasse no poder material, como os demais reinos da terra. E isso era verdade mesmo em se tratando dos discípulos mais íntimos de Jesus, como Tiago e João, que chegaram a pleitear um lugar à direita e outro à esquerda — primeiro-ministro e secretário de estado.

Vê-se claro igualmente que Jesus não foi compreendido quanto ao que lhes ensinou acerca da ressurreição, tanto sua como nossa. Conquanto lhes houvesse dito que ressuscitaria ao terceiro dia, ninguém esperou tal acontecimento. Pelo contrário, ficaram surpresos com a ressurreição de Jesus. Como vemos nos Evangelhos, um dos discípulos de Jesus, Tomé, exigiu provas cabais para se convencer. Até mesmo o propósito de sua morte não lhes ficara bem claro, pois que Paulo nos fala da cruz como pedra de tropeço para os judeus. Mesmo as exigências importantes e aparentemente simples para o discipulado parece não terem ficado bem claras na mente do próprio Nicodemos, um dos homens mais preparados do seu tempo!

A despeito da clareza do pensamento de Jesus e da vivacidade com que o expressava, os seus discípulos mais brilhantes e mais interessados deixaram de apanhar todo o seu sentido. Creio não ser exagero afirmar que, durante todo o seu ministério, Jesus de contínuo se sentiu desapontado ante a inabilidade e a vagarosidade demonstrada pelos discípulos em compreender as verdades que lhes ensinava. Se isso se deu com Jesus, não devemos ficar admirados de que aconteça também conosco. E assim como ele jamais se sentiu desanimado por isso, também nós, como mestres, nunca devemos nos desencorajar, mas avançar pacientemente como ele fez. O que Jesus disse de Pedro devemos dizer também de cada aluno — "Tu és... tu serás."


6 . Cheios de Preconceitos

Parece que tudo quanto já dissemos é suficiente, mesmo para Jesus. Eram seus discípulos imaturos, pecadores, intempestivos, de mente tardia e apoucada. Mas não podemos parar aqui, visto que o quadro ainda não está completo. As atitudes mentais deles em nada favoreciam a recepção das verdades apresentadas por Jesus. Pelo menos é o que depreendemos acerca deles, ou da mor parte deles, no que respeita a certas coisas. João abrigava dentro de si tais preconceitos que não admitia que pessoa fora do seu grupo expulsasse demônios e fizesse o bem (Mar. 9:38). Na verdade, o preconceito subjazia à raiz de muitos dos problemas já mencionados. Na Parábola do Semeador, a primeira qualidade de solo descrita é o que fica à beira do caminho - terra dura e impenetrável, na qual a semente não entra muito facilmente (Mat. 13:3-23). Temos aqui uma descrição perfeita da atitude assumida por indivíduos cheios de preconceitos e de mente fechada, os quais não querem nem pensar na verdade que lhes é apresentada. Evidentemente, Jesus teve que lidar com pessoas assim, quando disse, essa parábola, visto haver ensinado como enfrentar as necessidades da vida. O professor de Escola Bíblica Dominical tem também que enfrentar situações idênticas. Assim, trate-se de ensinar a conversão, o dízimo, a temperança ou qualquer outro assunto, o professor encontrará nos seus alunos práticas e preconceitos tais que fortemente os impedirão de encarar com coração aberto tais assuntos. Dificilmente encontrará o professor um aluno completamente despido de preconceitos. A intolerância é pior do que a ignorância.

Quando Jesus falou da ressurreição, encontrou a desdenhosa oposição dos saduceus aristocratas e racionalistas, os quais, tentando levar Jesus ao ridículo, apresentaram a questão do futuro esposo da mulher que nesta vida se casara sete vezes. Os saduceus eram os críticos intelectuais do tempo de Cristo.

Quando Jesus buscou mostrar o amor de Deus para com toda e qualquer criatura, ainda que pecadora, viu-se diante das intelectuais adagas dos orgulhosos fariseus, que se julgavam muito bons para se associarem com pecadores e publicanos. Assim, Jesus teve que forjar a Parábola do Filho Pródigo, ou apresentar o contraste entre o fariseu e o publicano em oração diante de Deus. Quando o jovem rico se ajoelhou a seus pés e humildemente lhe indagou como alcançar a vida eterna, pareceu-lhe estar na presença de uma pessoa de coração aberto. Mas, dizendo-lhe que vendesse tudo e .desse aos pobres, e o 6eguisse, viu mudar-se o rosto do moço e "ele se foi triste, porque possuía muitos bens" (Mar. 10:22).

Jesus teve que lidar igualmente com alunos cheios de preconceitos. Queriam muitos deles ter cheio seu estômago e ver curadas suas doenças, mas sem qualquer interferência em seus interesses e sem qualquer mudança em seus hábitos. E o mundo age assim ainda hoje. Todos querem ser curados e libertos do castigo eterno. Mas, quando se lhes fala em arrependimento, em servir a Cristo, em sacrifício e na cruz, perdem todo o interesse e se vão. É coisa mui difícil convencer um homem e levá-lo a negar-se a si mesmo. Os maiores obstáculos encontrados por professores e mestres são essas mentes fechadas e cheias de preconceitos.

7. Instáveis

Se os discípulos de Jesus se mostrassem dispostos a levar avante de modo fiel aquilo que houvessem entendido e recebessem tudo com mente aberta, já seria coisa mui maravilhosa. Mas, assim não fizeram. A perversidade humana é tamanha que a vontade, bem como o intelecto e os afetos, se mostram depravados. Isto é verdade quanto aos discípulos daquele tempo, e também quanto aos de nossos dias. Muitos não tiveram coragem de abandonar outros interesses e encarar corajosamente as durezas e decepções naturais do caminho cristão. Assim, diminuiu o interesse de muitos, e até mesmo os maiores amigos de Jesus hesitaram em avançar com ele. O quadro que Jesus nos pinta do solo raso e fraco, onde a semente cresceu rápido, mas logo murchou ao sol abrasador, é ótima descrição dessa instabilidade.

Então, como agora, a tentação, a tribulação, a perseguição, mui logo dizimam as fileiras. Marquis diz: "Bom número de gente se apresentou para seguir o Mestre, mas logo esfriou seu entusiasmo e o deixou. Jesus não podia retê-los. Após três anos desse ensino — o melhor que o mundo já conheceu — tendo falado Jesus a milhares de pessoas, ficou apenas este número de 120, e muitos destes ainda precisaram de ser reanimados pelo Seu ministério pósressurreição."

Que quadro do resultado de toda uma vida do maior professor que o mundo já viu! Até cultos sem valor parecem ter conseguido mais em nossos dias. Bom exemplo de fraqueza é o caso do jovem rico, a que nos referimos há pouco, o qual, embora interessado e inteligente, não se sentiu com forças para abrir mão dos seus bens e ir após Cristo. Que estupenda oportunidade perdeu ele, de companheirismo com Cristo, de servir a Deus, e mesmo de celebrizar-se como cristão! Outro caso já referido é o de Pedro que, após prometer ser fiel até o fim ainda que os outros desertassem, voltou as costas a Jesus e o negou com juramento, vendo-se rodeado por pessoas estranhas. Em certa época do seu ministério, a debandada de discípulos foi tal que

Jesus pateticamente se voltou para os poucos que lhe ficaram fiéis, e perguntou: "Não quereis vós também vos retirar?" (João 6:67). Mesmo depois de sua crucificação, vemos que seus amigos mais leais voltaram ao seu primitivo ofício, tendo dado a causa como completamente perdida. Aqueles onze homens corriam de cá para lá, como ovelhas assustadas, emboscando-se nas trevas, para fugir ao dedo indicador dos inimigos de Cristo em Jerusalém."

Se todas essas coisas se deram com Jesus, que esteve sempre muito além daquilo que podemos ser, e, se sua obra no tempo foi tida como decepção e derrota, em nada nos devemos surpreender quando vemos que nossos esforços parecem não render coisa alguma. Quando se faz muito, mais fácil tomar uma classe do que conservá-la, e quando não poucos alunos e alunas deixam as classes da Escola Bíblica Dominical, mal chegam à juventude, urge lembrar do Grande Mestre, e tomarmos alento.

Se o leitor sentir que este capítulo é desencorajador, lembre-se de que, apesar de todas aquelas dificuldades, e obstáculos, Jesus avançou pacientemente e conseguiu fazer daquele grupo o mais eficiente corpo de discípulos e mestres que o cristianismo já teve em toda a sua história. T. R. Glover diz: "O maior milagre da história parece ter sido este: a transformação que Cristo conseguiu operar naqueles homens." Fortalecidos por seus ensinos, pela sua.-ressurreição e pelo Espírito, saíram a transformar o mundo, e dez deles deram sua própria vida para levar avante aquela divina cruzada. Assim iniciaram eles a cristandade na obra da evangelização mundial. "A julgar pelos resultados, Jesus lançou a maior geração de mestres que o mundo conheceu — doze homens, que mais tarde viraram o mundo de pernas para o ar." Como conseguiu Jesus formar neles esse caráter invencível é o que iremos ver nos capítulos seguintes. Até aqui procuramos ver nossos discípulos à luz daqueles aos quais Jesus ensinou, e compreender mais claramente a nossa tarefa de mestres, bem como buscamos ânimo e coragem para ensinar com fidelidade e paciência.
Fonte:Blog Escola de domingo

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Igreja que ama, educa!


John Stott escreveu um livro que deixaria muitos cristãos perplexos e estupefatos. Em “Crer é também pensar” Stott analisa a importância da mente na vida cristã e explica porque o uso da mente é tão importante para o cristão, e como se aplica em aspectos práticos de sua vida. Faz ainda um vigoroso apelo aos cristãos para mostrarem uma devoção inflamada pela verdade. 

Digo que muitos cristãos ficariam perplexos e estupefatos pois no inicio de seu trabalho Stott afirma que o “espírito de anti-intelectualismo é corrente em nosso dia, o que segundo ele, no mundo moderno multiplicaram-se os pragmatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: “É verdade?”, mas sim: “Será que funciona?”. Com efeito, este mesmo espectro de anti-intelectualismo surge freqüentemente para perturbar a Igreja cristã. Fazendo descrer da importância tanto do ensino teológico sistematizado quanto da educação secular, aduzindo, portanto, que presenciamos a “miséria e a ameaça do cristianismo de mente vazia”. 

Na visão de Stott, o cristianismo de mente vazia é o resultado de igrejas que direcionaram suas ações somente para três áreas distintas: o ritual, em que uma cerimônia religiosa é um fim em si mesma; ação social, fazendo-a preocupar-se unicamente a assuntos ligados a fome e violência; ou, somente na experiência, em que se faz da experiência metafísica a única razão de ser cristão. 

Esse cenário é propício para o surgimento de cristãos inconscientes; os quais não compreendendo as verdades bíblicas e o cerne do pensamento cristão são desprovidos do caráter e da mente de Cristo; cristão desvirtuados e indiferentes para com a obra de Cristo, e, por fim, crentes resignados e igrejistas, cujo horizonte vai até onde termina o átrio da sua congregação. 

Gostaria sinceramente de contestar o ponto de vista de John Stott. Gostaria de escrever nesse espaço que ele está equivocado. Que as coisas não são bem da forma como ele disse. Que o cristianismo não está de “mente vazia”. Que não existe “espírito de anti-intelectualismo”. Que cristãos inconscientes, indiferentes e resignados são raros. E por, fim, gostaria de provar tudo isso, demonstrando que a Igreja investe tanto na educação bíblica quanto na secular. 

Mas não tem como. Não quero ser hipócrita. Não tenho argumentos para desbancar as idéias de Stott. Não tenho provas para refutá-lo. Não tenho testemunhas. Por isso, tenho que concordar com ele. Devo aceitar suas denúncias. 

Para comprovar que ele tem razão, basta observar que anualmente a igreja realiza quase uma dezena de festividades para os mais variados departamentos/setores. Nesse sentido, têm-se festas de jovens, adolescentes, crianças, circulo de oração, novos convertidos, encontros de casais, e aniversários diversos, nos quais são despendidos altas quantias de dinheiro para a oferta de preletores, cantores e demais despesas necessárias para o custeio de tais eventos. 

Em contrapartida, pouquíssimas vezes são realizados eventos relativo à educação cristã. Encontros que tenham como foco discutir assuntos atinente ao ensino. Congressos que busquem a capacitação de professores e o aperfeiçoamento daqueles que acabaram de adentrar ao ministério do ensino. Simpósios que abordem técnicas de ensino e métodos para a excelência da ministração. Em último caso, e, se sobrar tempo, o máximo que se faz é improvisar um reuniãozinha extraordinária após e escola dominical num domingo qualquer, cujos participantes não vêm a hora do amém. 

Ainda, tem-se o caso do investimento em construções de templos suntuosos, instalação de condicionadores de ar, cortinas, computadores, assentos, bem como outras aquisições; ao passo que pouco se investe em construção de salas de aula, aquisição de quadros, pincéis, materiais didáticos e outros correspondentes, afim de melhorar o ensino sistematizado da Bíblia Sagrada, eis que nesse caso, o investimento parece não ser conveniente. 

Verifica-se que poucos líderes já se conscientizaram acerca da importância do ensino na igreja. Por isso, o sistema de ensino religioso evangélico permanece na sua grande maioria com um estilo arcaico, medíocre e desorganizado, com poucos investimentos e ações com vistas a organizar o setor educacional. 

O cristianismo de mente vazia é resultado exatamente dessa falta de investimentos em educação cristã. Na inexistência de ações voltadas para a completa formação dos seguidores de Cristo. Na exata medida em que a Escola Dominical é jogada para escanteio e considerada somente como mais uma reunião extraordinária. Na mesma proporção em que o ensino sistematizado e permanente da Palavra de Deus, e o incentivo para o estudo secular é deixado de lado. 

Leve-se em consideração que a Igreja enquanto agência divina possui três funções básicas: Evangelização, adoração e ensino. Entre esses papeis não existe aquele que possua maior ou menor grau de importância, todos são fundamentais. Porém, o ensino é o sustentáculo dos demais. Evangelização sem ensino é o mesmo que jogar a semente sem, no entanto, regar com água. Adoração sem ensino é pura cantoria sem propósito. Em suma, cristianismo sem ensino é puro ritualismo. 

A educação cristã é de suma relevância para a formação do caráter cristão e para a afixação da consciência espiritual. A educação cristã promove o conhecimento de Deus e seu amor presente em Cristo. A educação cristã dá condições de preparo e desenvolvimento a seus membros para desempenharem o seu serviço do Reino. Portanto, o investimento no setor educacional da igreja é sobretudo investimento na formação do caráter cristão; é o empenho no sentido de formar discípulos conscientes acerca do seu papel no Reino de Deus, bem como da sua função no meio social. 

Baseado nisso... 

Se quisermos que os cristãos sejam conscientes e comprometidos com a principal finalidade do Reino de Deus, é melhor investirmos em educação. Se quisermos que os membros da igreja tenham pleno envolvimento acerca do seu papel em meio à sociedade secular, é melhor investirmos em educação. Se quisermos que a igreja saia dos casulos templários e cause o impacto do evangelho na sociedade, é melhor investirmos em educação. Se quisermos que a alienação espiritual de muitos crentes dê lugar à compreensão da salvação da alma, é melhor investirmos em educação. Se quisermos sermos vistos como sal da terra e luz do mundo, é melhor investirmos em educação. 

Por outro lado... 

Se quisermos que os cristãos sejam alienados, inconscientes, insossos, apagados, descomprometidos, sem propósitos, igrejistas, resignados, indiferentes e desvirtuados, é simples: Não invista em educação. Esqueça o ensino. Despreze a Escola Bíblica Dominical! 

É por essas e por outras que, parafraseando Içami Tiba, digo: Igreja que ama, educa! 

Valmir Nascimento M. Santos
Fonte: http://www.escoladominical.net

"PEQUENAS FRASES GRANDES EFEITOS"

"Pois no mesmo fogo, o ouro dá brilho e a palha vira fumaça; debaixo da mesma debulhadora o talo é esmagado e o grão debulhado; a borra não é confundida com o óleo porque ambos saem do mesmo lagar. Assim, também, a onda de dificuldades testará, purificará e melhorará os bons, mas socará, esmagará e arrastará para longe os maus. Assim é que, sob o peso da mesma aflição, os ímpios negam e blasfemam de Deus, ao passo que os justos oram a ELE e o louvam. A diferença não está no que as pessoas sofrem, mas no modo que elas sofrem. A mesma sacudida que faz feder a água fedorenta faz o perfume exalar o mais agradável cheiro. (Uma das declarações mais eloquentes de Agostinho)

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